E em diversas culturas o sacrificar-se é um ato adimirável.
Este sacrifício é, por muitas vezes, visto como uma virtude. Desde a atidude dos filhos cuidando dos pais já idosos ou enfermos, sendo visto como um ato de honra, até mesmo o papel profissional de cuidador que dedica o seu carinho para além dos cuidados práticos exigidos pelas circunstâncias das pessoas de quem elas cuidam.
E em muitos lugares essa capacidade de cuidar é até vista como um dom para poucos. Por englobar a atenção, paciência, persistência, dedicar-se até fora dos horários comuns de serviço (como no caso de cuidadores noturnos); demanda amor pela profissão. Mas quem cuida pode se desgastar, ou não conseguir cuidar de si mesmo.
Silenciar-se e Adoecer
A atitude de “engolir sapo“, de “segurar a barra“, deixar de falar o que incomoda com o intuito de não ferir a outra pessoa, possui o lado ético e valoroso de preocupar com os outros e até de manter a boa imagem perante as outras pessoas. Mas, tais atitudes também podem adoecer quem as pratica:
No âmbito da psicossomática _ que estuda a relação entre adoecimentos psicológicos e fisiológicos e a sua influência nos dois sentidos (que começa no psicológico e passa para o corpo e que começa no corpo e passa para o psicológico)_ entendi-se que ao acontecer o estress constante a pessoa passa a adoecer, e no âmbito psicológico tal estresse pode gerar adoecimento e até mesmo manifestar-se no corpo. E quando “passa para o corpo”, muitas vezes, precisa-se cuidar não apenas no âmbito psicológico, mas também físico, com acompanhamento multiprofissional.
Por exemplo:
Casos de gastrite nervosa, no qual a pessoa por estresse acaba tendo o desequilibrio da situação e passa a surgir os sintomas de gastrite (vou abster de detalhes aqui pois o foco deste artigo não é a gastrite e outros adoecimentos com carater de relação psicossomática).
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Algo importante que vale considerar é que a escolha de cuidar dos outros é um ato louvável , mas que precisa ser cuidado de forma saudável. Pois quando abre mão da própria saúde pra cuidar da saúde do outros, corre-se o risco de a médio ou longo praso, não se ter saúde para continuar cuidando dos outros. Podemos pensar na seguinte analogia:
A Planta Medicinal
Uma planta possui folhas que servem como medicamento para o tratamento de alguns adoecimentos.
Quando as pessoas passam a tirar muitas folhas dessa planta, seja para fazer o medicamento ou para fazer o chá seguindo um método mais popular; a planta passa a ter poucas folhas para conseguir sobreviver, correndo o risco de morrer. Com isso, não se tem mais as folhas daquela planta para medicamentos.
Imagem gerada por IA | Copilot
Cuidador em Foco
Assim, como essa planta, seriam os cuidadores, quando eles gastam tudo de si sem manutenção, sem cuidar a própria saúde, passam a ter risco de adoecer e diminuir a capacidade de cuidar dos outros.
Por isso recomendo a atenção. Não é para parar de ajudar as pessoas, mas para não deixar de cuidar de si mesmo durante o processo, e se por conta do exageiro faltar o tempo para fazer isso, recomendo repensar sobre as suas próprias ações.
Separar uma coisas da outra
Outro ponto que vale a pena lembrar é que o ato de Cuidar e está muito envolvido com o afeto. No cuidar pode si colocar carinho, amor; si doar pelo bem do outro. E pode acabar passando de limtes de envolvimento entre o que é meu e o que é do outro.
Por exemplo:
Uma pessoa que trabalha como cuidador de idosos é contratada para cuidar de uma senhorinha que possui muitas dificuldades com os filhos. Esse cuidador acaba com cuidar daquela senhora colocando muito afeto, passando a considera-la como sua avó.
Com o tempo esse cuidador passa a si envolver tanto com os problemas da família da senhorinha que passa a até a adoecer por si senti incapaz de resolver os problemas daquela família e até pensa em levar a senhorinha para cuidar dela em sua casa.
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Não quero dizer aqui que este caso é um grande problema, mas focando no ponto em que o envover-se demais na história e nos problemas do outro com quem a gente só tem um contato profissional, pode nos adoecer, caso não tenhamos um preparo para separar os problemas do outro como os nossos problemas pessoais.
Por isso é importante a busca pela tarapia, para nos conhecer e nos ajudar a lhe dar melhor com os problemas envolvidos dentro do trabalho.
Cuidar de Si para cuidar do outro
É preciso cuidar de quem cuida. Trabalhos como de cuidador de idosos, ou de pessoas que acompanham pessoas doentes e enfermas, tendem a se desgastarem, uns mais rápidamente e outros mais lentamente (isso varia de pessoa pra pessoa), sendo tal desgaste de ordem física ou mental.
Além de esbarrar em diversas possibilidades de problemas (seja com a família da pessoa cuidada, ou com os problemas associados as dificuldades da pessoa cuidada ou com as próprias dificuldades do cuidador entre outros).
Nesse sentido recomendo buscar o acompanhamento psicológico para ajudar no processo de si cuidar cuidando das outras pessoas.
Psicólogo Clinico (CRP-04/63762), Bacharel em Psicologia pelo Centro Universitário de Viçosa, pós-graduado em Psicossomática no IJEP – Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, pós-graduando em Psicologia Jungiana no IJEP – Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa.